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28 de março de 2013
21 de março de 2013
EDUCAR PARA A FELICIDADE
Sim, é verdade que felicidade não é uma palavra
que signifique o mesmo para todos. Como a palavra “moradia” também não. Moradia
para alguns é uma casa, para outros um apartamento, e assim vai... mas o que
faz de uma construção qualquer uma moradia? A prática. A moradia, o lar, é uma
construção praticada. Do mesmo modo, os diferentes conceitos de felicidade:
apresentam disparidades entre si, mas para serem legítimos, devem trazer a
possibilidade da prática. A felicidade não
pode ser algo inatingível.
É a prática da felicidade que deve estar no centro de nossas preocupações como educadores. Isso é um grande desafio, dada a nossa herança de séculos de confusão entre seriedade e tristeza. Parece que pessoas tristes e carrancudas são mais sérias e confiáveis. Essa perspectiva já aparece na visão filosófica de Aristóteles e está redondamente equivocada. Pessoas mais tristes não são, necessariamente, mais merecedoras de nossa confiança. Ao contrário, a tristeza pode resultar na falta de atenção para com o próximo. Como educadores, precisamos praticar a felicidade.
Também é verdade que a pessoa feliz não é aquela que está sempre rindo ou demonstrando euforicamente bom-humor, mas aquela que elabora, no seu íntimo, esse estado mental, essa construção contínua – a felicidade, mesmo sujeita a momentos mais difíceis. Essa construção interna é revelada, revelando a nossa própria identidade, no convívio com os Outros.
Claro que há certas carências fundamentais, tais como saúde, moradia, alimentação, que podem afetar decididamente a construção da felicidade. São um alicerce cuja carência compromete toda a construção. Por tais necessidades, nós educadores, devemos nos empenhar e também devemos levar em conta ao pensar na felicidade dos outros, nossos educandos.
A felicidade se ensina sobretudo pelo exemplo. É que embora a felicidade seja algo que esteja constantemente elaborada em nosso íntimo, ela transpira de quem somos e se manifesta em nossas ações. Desse modo, ela chega ao Outro. E o motiva. E esse nosso estado íntimo de felicidade faz, a esse Outro, também, de algum modo, mais feliz.
Acredito que possamos trazer para o centro das considerações educativas a reflexão sobre a felicidade. Ensinar a refletir sobre a felicidade possibilita que o educando questione suas próprias escolhas e pense e repense nos caminhos que se permite percorrer. Questionar é não acomodar-se, é caminhar. Ensinar a refletir sobre a felicidade envolve ouvir atentamente, ponderar, perguntar. Na verdade, falar pouco e ouvir muito. Ouvir, desta perspectiva, ensina.
Um questionamento importante que devemos sempre motivar é como podemos construir a felicidade no cotidiano, principalmente, depois de aprender algo novo: como esse novo conhecimento colabora em que sejamos mais felizes?
Não ensinamos a felicidade como ensinaríamos a tabuada,
mas ensinamos a felicidade pela prática da felicidade em nossa vida. Podemos
considerar a felicidade como uma construção do indivíduo realizada no interior
de seu Eu e que se revela em ações. Essas ações contagiam saudavelmente quem
está perto. O exemplo da felicidade educa e faz pensar e é bom incentivar e
motivar esse refletir. O que aprendemos deve ser para a construção interior
desse nosso estado de felicidade, lenta e continuamente..É a prática da felicidade que deve estar no centro de nossas preocupações como educadores. Isso é um grande desafio, dada a nossa herança de séculos de confusão entre seriedade e tristeza. Parece que pessoas tristes e carrancudas são mais sérias e confiáveis. Essa perspectiva já aparece na visão filosófica de Aristóteles e está redondamente equivocada. Pessoas mais tristes não são, necessariamente, mais merecedoras de nossa confiança. Ao contrário, a tristeza pode resultar na falta de atenção para com o próximo. Como educadores, precisamos praticar a felicidade.
Também é verdade que a pessoa feliz não é aquela que está sempre rindo ou demonstrando euforicamente bom-humor, mas aquela que elabora, no seu íntimo, esse estado mental, essa construção contínua – a felicidade, mesmo sujeita a momentos mais difíceis. Essa construção interna é revelada, revelando a nossa própria identidade, no convívio com os Outros.
Claro que há certas carências fundamentais, tais como saúde, moradia, alimentação, que podem afetar decididamente a construção da felicidade. São um alicerce cuja carência compromete toda a construção. Por tais necessidades, nós educadores, devemos nos empenhar e também devemos levar em conta ao pensar na felicidade dos outros, nossos educandos.
A felicidade se ensina sobretudo pelo exemplo. É que embora a felicidade seja algo que esteja constantemente elaborada em nosso íntimo, ela transpira de quem somos e se manifesta em nossas ações. Desse modo, ela chega ao Outro. E o motiva. E esse nosso estado íntimo de felicidade faz, a esse Outro, também, de algum modo, mais feliz.
Acredito que possamos trazer para o centro das considerações educativas a reflexão sobre a felicidade. Ensinar a refletir sobre a felicidade possibilita que o educando questione suas próprias escolhas e pense e repense nos caminhos que se permite percorrer. Questionar é não acomodar-se, é caminhar. Ensinar a refletir sobre a felicidade envolve ouvir atentamente, ponderar, perguntar. Na verdade, falar pouco e ouvir muito. Ouvir, desta perspectiva, ensina.
Um questionamento importante que devemos sempre motivar é como podemos construir a felicidade no cotidiano, principalmente, depois de aprender algo novo: como esse novo conhecimento colabora em que sejamos mais felizes?
EDUCAR E AS PONTES COM O OUTRO
Por aquilo que fazemos, construímos o lugar em que vivemos, transformando uma casa, por mais simples que seja, no nosso lar; uma reunião, em momento de acolhida; um encontro, em ocasião memorável de aprendizagem. Em todas essas ações, de um modo ou ou outro, surge lá, em algum momento, a presença do Outro. Na interação com ele, construímos a nossa caminhada e a nossa identidade. Atitudes, tão comuns hoje em dia, que procuram excluir o Outro, ignorá-lo ou obrigá-lo a ser quem nós desejamos que ele seja terminam por se voltar contra nós mesmos, pois dificultam a transformação dos espaços e, desse modo, dificultam também que nós sejamos nós mesmos.
3 de março de 2013
1 de março de 2013
POR QUE ESTUDAR 'LÍNGUA PORTUGUESA' NA ESCOLA?
Essa pergunta parece óbvia, mas não é.
O componente “Língua Portuguesa” entra na grade curricular brasileira, nos
finais do século XIX, e com uma aula por semana, no último ano. Havia aulas de
leitura, de retórica, de latim, mas não se sentia a necessidade de uma aula de
Língua Portuguesa, porque falar português era algo considerado aprendizagem de
casa.
O motivo de estudar "Língua Portuguesa"
na escola mudou muito nos últimos cem anos.
Inicialmente, a ideia é que quem fala bem,
pensa bem. Ou seja, a palavra traduz o pensamento. Nessa linha de
raciocínio, para pensar de modo correto, eu teria de aprender a falar de modo
correto. Aí era importante o estudo de regras gramaticais e de apagar da
criança qualquer coisa que pudesse significar que ela dominava a gramática,
porque isso significaria que ela não conseguia pensar direito. Daí uma ideia,
muito comum até hoje de português correto e errado, ou seja, aquele que nos faz
pensar corretamente e aquele que revela dificuldades de raciocínio. Essa
perspectiva, oficialmente, vai da origem do componente curricular até, começo
da década de 70.
Principalmente a partir da década de
70, os documentos oficiais mudam o conceito de por que estudar português na
escola. O motivo passa a ser a comunicação. Estudamos português para aprendermos
a nos comunicarmos melhor. Ou seja, tudo o que ajudar o cidadão a se comuncar
melhor, tinha que fazer parte da disciplina "Língua Portuguesa".
Contudo, é também a época da ditadura, de guerra fria etc... então,
comunicar-se é perigoso. Há a censura, as perseguições etc. Assim, a escola
ensina as técnicas da comunicação e da expressão. A ideia é que conhecendo as
técnicas, o mundo lá fora se encarregaria de ensinar a aplicá-las na prática.
A década de 90 traz os PCN e com eles a
ideia de que comunicar é trabalhar com a linguagem, é um fazer com o
português. Fazer o quê? Fazer tudo: comunicar-se, namorar, escrever um diário,
ler um poema, comprar um carro... tudo é feito por meio da linguagem e tudo é
feito exigindo diferentes usos da linguagem. Falar, escrever são modos de agir
no mundo. Então, a língua portuguesa passa a ser estudada a partir da realidade
em que ela é vivida e possiblitando a capacidade do estudante se adequar às
diferentes realidades: falar com o presidente de uma grande empresa, com todo o
uso das regras gramaticais da norma padrão, ou bater papo informalmente
numa roda de amigos.
1 de fevereiro de 2013
COMO EDUCAR NOS DIAS DE HOJE?
Educar exige, antes de tudo, a
consciência de que desejamos que o Outro aprenda e que esse Outro não somos
nós.
Educar não é tanto passar algo que é
nosso, o conhecimento, para o outro, mas antes auxiliar esse outro a adquirir
um conhecimento que ele não tinha.
Então, o primeiro passo é uma atitude
de respeito, de ouvir o que esse Outro tem a dizer, o que ele pensa,
acredita... Como um bom médico. Sempre de um modo calmo e simples, com afeto,
mas sem afetações. Ninguém gosta de ser tratado como se fosse menos porque não
sabe.
O conhecimento é, antes de tudo,
informação vivida, experiência. Isso significa que o ponto central de um
processo educativo é desenvolver a capacidade do outro refletir, vivenciar as
informações construídas.
Nesse sentido, o exemplo do educador,
fala mais alto do que as suas palavras. De fato, há um ditado que diz que
'aquilo que você faz grita tão alto que eu não ouço o que você diz' O exemplo
coerente grita: então quando o pai diz que não pode mentir nunca, de jeito
nenhum, mas também fala para o filho atender ao telefone e “se for a Tia Maria,
diz que eu não estou”. Então, falta a coerência do exemplo. E a ação educa mais
do que a palavra.
A edução é um trabalho de muitos: dos
pais, antes de tudo; depois da escola, mas também da Igreja, da Televisão, dos
livros, dos amigos... Tudo e todos educam, para bem e para mal.
Os pais são os principais responsáveis
pela educação de seus filhos e devem pensar com cautela na responsabilidade que
significa esses diferentes agentes de educação junto a seus filhos. Por
exemplo, como é a escola em que meu filho é também educado? Como ela é parecida
com minha maneira coerente de educar meu filho?
29 de janeiro de 2013
PROFESSORES DA FELICIDADE
Muitos descobriram que mais importante do que
acumular bens materiais é dar um sentido
àquilo que se tem, reconhecendo o seu valor. Sim, é um pouco aquela máxima
que diz “Não tenho tudo o que amo, mas amo tudo o que tenho”.
Em outras palavras, é importante dar um sentido aos
bens materiais e qualidades que já se têm. Ainda que pareçam pouco. Claro que
podemos vir a ser mais e a acumular mais coisas, mas não é desse futuro incerto
que deveria depender a nossa felicidade atual.
Há muito com o que já temos que podemos fazer. Para
nós mesmos e para os outros. Ainda mais ao nos pensarmos como educadores. Que
qualidades e conhecimentos fazem parte de quem sou? Basta uma pequena reflexão
para encontrarmos algo de bom em nós mesmos. E esse algo já é a semente de um
começo. Sou uma pessoa responsável? Calma? Preocupo-me com os outros? Sou uma
pessoa justa? Emociono-me com o sofrimento dos outros? Etc. Depois é pensar:
como aquilo de que dispomos, tempo, qualidades, conhecimentos etc. pode
favorecer a aprendizagem do outro? O que desemos nós mesmos aprender de novo em
nossa vida?
O lugar da felicidade é um lugar de equilíbrios:
entre o passado, o presente e o futuro; entre o que fazemos e o porquê o
fazemos; entre os nossos interesses e os dos outros. Nesse território amplo da
felicidade é que poderemos construir a nossa morada. Ou seja, sermos felizes.
Como educadores, temos diante de nós o privilégio e
a responsabilidade de ensinar os outros a serem felizes. Mas, como se ensina a
felicidade?
Sobretudo pelo exemplo. É que embora a felicidade
seja algo que esteja sendo constantemente elaborado no nosso mais íntimo, ela
transpira de nosso ser, em nossas ações, e chega ao outro. E motiva o outro. E
o faz, a ele, também mais feliz. Por isso todos nós gostamos da companhia de
pessoas felizes. Não estamos falando de pessoas eufóricas, daquelas que estão
sempre falando ou rindo alto. Isso, em si mesmo, não é sinal de genuína
felicidade. Falamos de pessoas que são morada de Deus, na construção da
felicidade que habita o íntimo do seu ser.
Felicidade não é um conteúdo que se ensina em
algumas aulas, com anotações no caderno e uma prova.
Felicidade é uma vivência diária.
E quem está na responsabilidade de nosso ensino
olhará desconfiado para a nossa felicidade. É que as pessoas vivem muito
mergulhadas na tristeza, então elas conhecem a alegria momentânea, mas têm
dificuldades em lidar com o genuíno ser feliz.
Assim, não adianta uma receita de ‘fazer o outro
feliz’. Temos a nossa própria construção pessoal da felicidade, não como algo
eufórico e momentâneo, mas como um fazer constante e íntimo. E o desejo de que
essa felicidade íntima transpareça aos que estão perto de nós.
28 de janeiro de 2013
AVISO
Prezados, quarta-feira, às 22h 15 min. serei entrevistado por Dalcides Biscalquin, no programa 'Tribuna Independente', da Rede Vida de Televisão.
Falarei um pouquinho de Educação.
Será uma alegria ter a sua audiência...
20 de janeiro de 2013
APRENDIZAGENS DE FELICIDADE COM ROBINSON CRUSOE
A literatura
nos dá um bom exemplo de força de vontade e persistência. Trata-se de Robinson Crusoé. Você conhece a
história?
Robinson
Crusoé é a personagem principal do livro A Vida e as Estranhas Aventuras de
Robinson Crusoé (1719), romance do escritor inglês Daniel Defoe (1660-1731).
O escritor
baseou-se na história verídica de um marinheiro, Alexander Selkirk, abandonado,
a seu pedido (imagine só!), numa ilha deserta, onde viveu de 1704 a 1709. Essa
história fascinou a Defoe que, a partir daí, foi modificando o que conhecia do
relato para dar origem a Robinson Crusoé.
No livro, a
personagem vai parar numa ilha paradisíaca por conta de um naufrágio do qual é
o único sobrevivente. Nessa ilha, vive sozinho durante vinte e oito anos (muito
mais tempo que Alexander!), até finalmente encontrar-se com um indígena, que
Robinson chama de Sexta-Feira. São 28 anos nos quais Robinson luta contra a
fome, as interpéries e os perigos da natureza, as dificuldades cotidianas e,
principalmente, contra a solidão. Ao mesmo tempo procura não se esquecer de que
é um ser humano, trazendo consigo uma visão de mundo, uma formação cultural e uma relação com o Sagrado. Ele não é um mero
animal solitário buscando sobreviver.
Se a solidão
diminui quando ele se encontra com Sexta-Feira, aparecem, no entanto, novos
problemas. A convivência entre duas pessoas tão diferentes logo se traduz em
novas dificuldades. De construir a felicidade na solidão a construí-la na
relação difícil com um Outro completamente diferente de si mesmo, o leitor se
envolve facilmente com as aventuras deste náufrago. Ao final, Robinson é salvo
e o livro tem o final feliz que costumamos encontrar nas histórias de ficção.
Ser feliz,
contudo, não é chegar ao final da história contada num livro. Ser feliz é mais
parecido com a vida de Robinson na ilha: uma construção diária. E essa
construção exige que nos conheçamos a nós mesmos, seja quando estamos sozinhos
ou quando estamos juntos com os outros.
O crescente
conhecimento de nós mesmos e daquilo que nos singulariza como seres humanos
leva-nos a reconhecer, em nosso íntimo, uma base, um chão, no qual podemos,
erguer a nossa felicidade. Como se fosse uma casa que se constrói. Também esse
construir, como outros, pode ser aprendido...
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