3 de julho de 2012

O QUE É LINGUAGEM? E ANÁLISE LINGUÍSTICA?



Quero escrever sobre um tema que me 'apoquenta' já há algum tempo... Especialmente, ao trabalhar com os nossos valorosos professores da área de Linguagem, Códigos e suas Tecnologias: Afinal, o que é linguagem quando vou pensar na prática de sala de aula? O que muda entre o que eu aprendi como sendo linguagem e o que eu tenho que, como professor, ensinar?

       Definimos linguagem como aquilo que fazemos com os diferentes códigos na sociedade e na construção psíquica do indivíduo. Pela linguagem, os indivíduos constituímos outros e nos constituímos.  A linguagem é um trabalho coletivo (discurso) feito com o código e orientado para uma finalidade em situação de uso. Ela se realiza como um espaço psicossocial em que os indivíduos atuam, realizam experiências.

       E é assim que deve ser estudada, em uma perspectiva de análise linguística. Compreendemos a análise linguística como o processo reflexivo dos movimentos dos recursos lexicais e gramaticais e da construção composicional de textos considerando seu gênero discursivo, suporte, meio/época de circulação e de interlocução (contexto). Relaciona-se às atividades (ações) de leitura e escrita (reescrita).

É ação de reescrita a refacção de um texto, mas também a compreensão expressiva de uma determinada palavra em um discurso.

Vejamos o trecho de um texto, retirado retirado da revista Capricho (http://capricho.abril.com.br/diversao/voce-feia-ou-bonita-416219.shtml):

Você às vezes se acha bonita e às vezes se acha um bagulho, certo? Bem... Ou você é um ou outro, minha querida, porque esse papo de ser as duas ao mesmo tempo é muito profundo e esta matéria aqui tem a profundidade de um pires!

      Não é suficiente que o estudante identifique os adjetivos no texto, a análise linguística em uma perspectiva discursiva leva-nos mais longe, por exemplo:

·         Que diferença faria no texto substituir o adjetivo “bonita” por “bela”?
              ·         O que a escolha do termo “bagulho” nos diz sobre o leitor visado pelo texto? Que outros vocábulos no texto reforçam essa escolha?
              ·         E se o enunciador desejasse dirigir-me a outro público?

Naturalmente, tal posicionamento obriga-nos a desenvolvermos, em sala de aula, o conhecimento e a reflexão das regras visando a atividades (reais) de recepção e produção.
O mesmo raciocínio é válido para as demais linguagens com as quais nos preocupamos na área.
Vejamos como exemplo a fotografia a seguir. Repare atentamente nos quadros que compõem o cenário:



        ·         O que se vê na fotografia? Que ideias são possíveis de serem construídas.
               ·         Identifique as características das obras de arte que aparecem na imagem.
            ·         Faria diferença, na construção de sentido que o leitor pode construir na interpretação do texto como uma crítica irônica à arte, se fossem obras clássicas renascentistas, tais como Da Vinci ou Michelangelo?
     
 Novamente, a compreensão dos códigos está a serviço de algo maior, a compreensão da própria linguagem e das intenções comunicativas do texto realizado como discurso.
Finalmente, vale lembrar que fazem parte da área de Linguagem, Códigos e suas Tecnologias as disciplinas de Língua Portugues, Língua Estrangeira Moderna, Educação Física e Artes.

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