1 de março de 2013

POR QUE ESTUDAR 'LÍNGUA PORTUGUESA' NA ESCOLA?



Essa pergunta parece óbvia, mas não é. O componente “Língua Portuguesa” entra na grade curricular brasileira, nos finais do século XIX, e com uma aula por semana, no último ano. Havia aulas de leitura, de retórica, de latim, mas não se sentia a necessidade de uma aula de Língua Portuguesa, porque falar português era algo considerado aprendizagem de casa.
O motivo de estudar "Língua Portuguesa" na escola mudou muito nos últimos cem anos.
 Inicialmente, a ideia é que quem fala bem, pensa bem. Ou seja, a palavra traduz o pensamento. Nessa linha de raciocínio, para pensar de modo correto, eu teria de aprender a falar de modo correto. Aí era importante o estudo de regras gramaticais e de apagar da criança qualquer coisa que pudesse significar que ela dominava a gramática, porque isso significaria que ela não conseguia pensar direito. Daí uma ideia, muito comum até hoje de português correto e errado, ou seja, aquele que nos faz pensar corretamente e aquele que revela dificuldades de raciocínio. Essa perspectiva, oficialmente, vai da origem do componente curricular até, começo da década de 70.
Principalmente a partir da década de 70, os documentos oficiais mudam o conceito de por que estudar português na escola. O motivo passa a ser a comunicação. Estudamos português para aprendermos a nos comunicarmos melhor. Ou seja, tudo o que ajudar o cidadão a se comuncar melhor, tinha que fazer parte da disciplina "Língua Portuguesa". Contudo, é também a época da ditadura, de guerra fria etc... então, comunicar-se é perigoso. Há a censura, as perseguições etc. Assim, a escola ensina as técnicas da comunicação e da expressão. A ideia é que conhecendo as técnicas, o mundo lá fora se encarregaria de ensinar a aplicá-las na prática.
A década de 90 traz os PCN e com eles a ideia de que comunicar é trabalhar com a linguagem, é um fazer com o português. Fazer o quê? Fazer tudo: comunicar-se, namorar, escrever um diário, ler um poema, comprar um carro... tudo é feito por meio da linguagem e tudo é feito exigindo diferentes usos da linguagem. Falar, escrever são modos de agir no mundo. Então, a língua portuguesa passa a ser estudada a partir da realidade em que ela é vivida e possiblitando a capacidade do estudante se adequar às diferentes realidades: falar com o presidente de uma grande empresa, com todo o uso das regras gramaticais da norma padrão, ou bater papo  informalmente numa roda de amigos.

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