15 de junho de 2012

A APRENDIZAGEM ESCOLAR DE PROCEDIMENTOS - ALGUMAS SUGESTÕES

Ser professor é uma atividade complexa. Isso, entre outros muitos muitos motivos, porque ninguém é professor apenas, mas todos nós  somos professores de algo. Então, o desafio é relacionar a atividade de educar, comum a todo professor, com o 'algo' que nos identifica e nos distingue dos demais colegas.
A tentação é ficar só nesse "algo". Assim, o professor de Português tende à tentação de ensinar 'português' e limitar a isso a sua ação docente. O mesmo para o de Matemática, Ciências, Inglês etc.
Mas nos conturbados tempos que correm, nota-se uma dificuldade não sanada: quem faz o estudante aprender a ser estudante?
Considero importante trazer para o cotidiano da sala de aula o espírito dos conteúdos procedimentais  naquilo que eles oferecem uma resposta a essa pergunta.
Penso em tais conteúdos como um processo em etapas ordenadas e organzidas que possibilitem atingir uma determinada meta proposta.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais incentivam que se adote como trabalho comum a todos os componentes disciplinares cinco competência básicas:
  • Leitura
  • Escrita
  • Oralidade
  • Argumentação
  • Transposição de Conhecimentos
Como tais competências podem resultar em uma práxis dinâmica de ser professor que valoriza a dimensão educativa do processo ensino-aprendizagem, sem perder de vista a especificidade de cada componente curricular.
A seguir, sugiro alguns conteúdos procedimentais que podem ser articulados, facilmente, a qualquer componente disciplinar possibilitando que o professor não percade foco a especificidadede sua área de atuação.

Leitura: (como processo de construção de sentido que atende adequadamente a uma necessidade específica)

(1)    Leitura de um texto para estudar, encontrando as palavras chave.
(2)    Leitura de um texto para estudar, encontrando uma pergunta em cada parágrafo.
(3)    Leitura de um texto para identificar informações pertinentes a um determinado  tópico.
(4)    Leitura de uma comanda (questão discursiva) para resolver um exercício ou problema.
(5)    Leitura de comanda (questão de múltipla escolha para resolver um exercício ou problema.
(6)    Leitura para distração

Escrita:

(1)    Síntese escrita de um texto, aula, vídeo etc.
(2)    Produção de uma resposta a um determinado exercício ou atividade
(3)    Produção de uma resenha de um texto, aula, vídeo etc.
(4)    Produção de uma entrevista.
(5)    Produção de um ensaio e/ou artigo científico.
(6)    Produção de um projeto.
(7)    Produção de um projeto de texto.

(8)    Produção de roteiro para seminário ou outros fins de apresentação oral formal.



Argumentação:

(1)    Emissão de uma opinião pessoal
(2)    Escuta e síntese da opinião pessoal do colega.
(3)    Escutar, síntese e avaliação da opinião pessoal do colega.
(4)    Emissão de uma tese, defendida com argumentos.
(5)    Organização de diferentes argumentos na defesa de uma tese.
(6)    Emissão de opinião pessoal sobre uma tese.
(7)    Emissão de opinião pessoal sobre os argumentos de uma tese emitida por outro.
(8)    Emissão de opinião pessoal sobre a argumentação (tese + argumentos) produzida por outro.
(9)    Avaliçao de tese, argumentos e argumentação de texto produzido por outro seguindo critérios.

Oralidade:

(1)    Respeito ao turno.
(2)    Escuta do comentário do colega.
(3)    Emissão de comentário levando em conta a assistência.
(4)    Emissão de comentário pertinente ao tema.
(5)    Emissão de comentário levando em conta a progressão do tema discutido.
(6) Apresentação de Seminário
(7) Roda de discussão
(8) Roda de leitura
(9) Roda de conversa


.

Transposição de conhecimentos:

(1)    Resolução de problemas
(2)    Estabelecimento de relações entre conhecimentos  novos e conhecimentos já estudados.
(3)    Utilização de conhecimentos já estudados em uma situação nova ou inédita.

20 de abril de 2012

SUGESTÕES DE TRABALHO: Como corrigir redações



A seguir, algumas considerações práticas sobre como redigir redações a partir de critérios preestabelecidos e conhecidos anteriormente.

Escolha quatro ou cinco dos critérios a seguir, antes da proposta de redação ser apresentada aos estudantes. Apresente esses critérios aos seus alunos, explicando o que espera em cada um deles e quanto da nota será comprometida. O ideal é que os critérios tenham o mesmo valor, assim, se escolher cinco, cada um deles valerá dois pontos em um total de dez.

É importante que haja um momento em que se promova a aprendizagem da autoavaliação, com os próprios estudantes notificando seus trabalhos e/ou os de seus colegas.

Naturalmente, esse trabalho dos estudantes deve ser comparado com a avaliação feita pelo professor e pode indicar importantes pontos de divergência entre os dois modos de olhar a mesma atividade - a do professor e a do aluno - significando retomadas na rota. Para preencher a tabela, o ideal é usar valores de 1 a 4, sendo o 0 (zero) guardado para redações em que não se atingiu nada do que se pretendia, tais como redações em branco.

Tabela de critérios de avaliação de redações (usar valores de 1 a 4)

1 Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita:

2 Compreender a proposta e aplicar conceitos de várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do gênero solicitado:

3 Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista, mantendo-se apegado ao tema:

4 Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação (concentrar-se em ...):

5 Ser criativo e original, mantendo-se simples, correto e ao gênero textual solicitado:

6 Fugir de fórmulas prontas e dos clichês (como "o importante é ser feliz"; "O Brasil é um país de contrastes"; "cumprindo o seu destino"):

7 Usar adequadamente as palavras, evitando expressões incomuns que dão uma impressão de falsa erudição:

8 Evitar expressões radicais e grosseiras, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural:

9 Limpeza de apresentação e letra legível, evitando letra de forma que dificulta a distinção entre minúsculas e maiúsculas, bem como bolinhas ao invés de pingos nos “i” e “j”:

10 Dominar estratégias de coesão entre as palavras, frases e parágrafos:



13 de fevereiro de 2012

Panorama histórico do ensino de Língua Portuguesa no Brasil


Dentro da história da disciplina escolar da Língua Portuguesa, a linguagem já foi conceituada de três maneiras diferentes. Esses modos de considerar a linguagem deixaram forte herança no modo como hoje se constitui toda a área de Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias (LCT).

Até a década de 70, o conceito de linguagem definia-se como expressão ou tradução do pensamento. Ou seja, como a capacidade do indivíduo de organizar o seu pensamento. Desse modo, usar a língua portuguesa era o mesmo que pensar e pensar certo seria utilizar a linguagem de modo correto, seguir regras universais (divisão, classificação e organização).

Nesta concepção de linguagem, os estudos gramaticais – a par dos estudos retóricos – são aqueles que desenvolverão a técnica para falar e escrever bem e certo. Estabelecendo um íntimo diálogo com a visão positivista de mundo, as regras, no estudo escolar, são vistas como o modo de organizar o mundo, e a partir da obtenção da ordem pode-se caminhar ao progresso.

Vale destacar também que o currículo é estruturado pelo Ministério da Educação e Cultura de modo preciso e claro, com as listas de conteúdos, autores e obras que deverão ser de conhecimentos dos estudantes de acordo com a série em que estão matriculados. Isso organiza tanto a formação de professores como a dos alunos.

A década de 70 assiste à chegada aos documentos escolares e a alguns manuais e livros didáticos, das ideias da linguística, misturando conceitos estruturalistas e pós-estruturalistas. A linguagem é vista como instrumento de comunicação, um código (conjunto sistematizado de regras) que possibilita transmitir uma mensagem (comunicar = tornar comum entre dois). A dicotomia saussureana LANGUE/PAROLE ganha força nos estudos linguísticos na formação dos professores, mas na Escola, como na Universidade, estuda-se, sobretudo, a Langue, ou seja, sistema estruturado de signos, não a Parole, a manifestação individual da Langue 

Influenciada pelas ideias de Jakobson, a escola irá valorizar as funções da linguagem, preocupando-se em categorizar – estruturar - o para quê o indivíduo utiliza a linguagem de acordo com quem a utiliza, onde, quando, com quem a fim de comunicar algo. 

A gramática escolar continuará muito influenciada pela visão anterior, retirando de cena, contudo, os estudos retóricos e incidindo, principalmente, em exercícios estruturais de morfossintaxe frasal na busca da internalização inconsciente da norma culta (tomada como variedade de prestígio e aquela que irá promover o cidadão). as regras possibilitam internalizar um modo de fazer (aplicação das regras) que será desenvolvido em circunstâncias sociais fora do ambiente escolar. Ou seja, o como e quando o falante faz uso das regras que aprende na escola não é preocupação da disciplina de Língua Portuguesa. 

A diretriz educacional oficial neste momento (década de 70) é de dar maior autonomia ao professor, deixando-o livre para escolher e organizar o seu currículo. Na prática, contudo, foram os vestibulares que se encarregaram de organizar o currículo. Além disso, a formação do professor começa a priorizar a quantidade formada e não a qualidade docente, os salários da categoria docente começam a se achatar e as formulas prontas soam preferíveis a quaisquer escolhas conscientes dos professores. 

Nessa época também surge a área de Área de Comunicação e Expressão, englobando Língua Portuguesa, Educação Física, Arte e Língua Estrangeira Moderna sem, contudo, conseguir uma aproximação, de fato, entre esses componentes curriculares. Particularmente, a Educação Física ainda está muito mais atrelada a um conceito de ‘boa saúde’ (mens sana in corpore sano) do que a um modo de comunicar e expressar. 

A década de 80, no que diz respeito à documentação oficial, continua valorizando a autonomia do professor e começa a dar um espaço maior ao texto. A formação docente continua priorizando a quantidade e com os baixos salários pagos à categoria, há uma fuga de talentos da área. A profissão passa a ser vista, por alguns, como um ‘bico’ que complemente a renda. Divulga-se a máxima que “quem sabe faz; quem não sabe, ensina”. 

Entrando no século XXI, temos o surgimento dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Esse documento definirá linguagem como espaço psicossocial em que os indivíduos atuam, constituem outros e se constituem. Ou seja, trabalho coletivo (discurso) orientado para uma finalidade em situação de uso. O conceito é complexo e não imediatamente absorvido pelos professores, o que trouxe uma série de incompreensões e a oposição ‘tradicional’/ ‘construtivista’, usualmente, mal interpretada e aplicada.

 Neste conceito de linguagem, contudo, todo discurso manifesta-se por meio de textos e todo texto se organiza dentro de determinado gênero discursivo. Os gêneros discursivos são elementos organizadores do processo discursivo, ou seja, enunciados relativamente estáveis caracterizados por


(a)  conteúdo temático (o que pode ser dito)
(b)  construção composicional (estrutura do que é dito)
(c)  estilo (recursos expressivos e marcas autorais)

Mais teoricamente do que na prática, o estudo gramatical da vez à Análise Linguística – processo reflexivo dos movimentos dos recursos lexicais e gramaticais e da construção composicional de textos considerando seu gênero discursivo, suporte, meio/época de circulação e de interlocução (contexto). Relaciona-se às atividades (ações) de leitura e escrita (reescrita). O que se deseja é que o conhecimento e a reflexão das regras visem a atividades (reais e contextualizadas) de recepção e produção.

A área de Comunicação e Expressão é substituída pela área de Linguagem, Códigos e suas Tecnologias, englobando as disciplinas de Língua Portuguesa, Educação Física, Artes e Língua Estrangeira Moderna. A Língua Espanhola ganha grande espaço no cenário educativo e iniciam-se movimentos para, efetivamente, aproximar as disciplinas entre si, constituindo uma área. Tarefa, contudo, na qual ainda há muito a fazer.

Mereceria aqui consideração especial o espaço dos estudos literários nesse cenário. A visão dominante na escola era, até o surgimento dos PCN, de valorizar a literatura no Ensino Médio (chamado de 2.o grau), pelo prisma histórico, centrado em relacionar características de obra às características de estilo de época. O ensino Fundamental (chamado de 1.o grau) priorizava o ‘prazer da leitura’, conforme visto em obras ditas paraliterárias de forte cunho moralista.

O advento dos PCN valorizará o processo de formação do leitor literário. O conceito é também amplo e foi interpretado das mais variadas formas, muitas delas, incoerentes: o importante é que o estudante leia, não interessa o quê; tudo é literatura; literatura não é importante; tudo que é estudado na corrente histórica da literatura deve produzir prazer ao estudante etc.

Hoje, notamos que considerar o estudo literário dentro da área de Linguagens é fazer um recorte ao fenômeno literário, aproximando-o do próprio estudo da linguagem, que deve ser visto contextualizado e no processo lento e complexo de formação de um leitor de literatura, a par das outras formações de leitor.


25 de janeiro de 2012

ALGUMAS QUESTÕES SOBRE A FORMAÇÃO DE LEITORES DE OBRAS DE ARTE

Acredito que valha a pena recapitularmos o que nos diz o filósofo francês Maurice Blanchot sobre o ato de ler o texto literário:

Ouvir música faz daquele que só sente prazer em ouvi-la um músico, e o mesmo se pode dizer de quem gosta de ver um quadro. A música, pintura são mundos em que penetra aquele que possui a chave para eles. Essa chave seria o ‘dom’, esse dom seria o encantamento e a compreensão de um certo gosto. O amador de música, o amador de quadros, são personagens que ostentam suas preferências como um mal delicioso que as isola e de que se orgulham. Os outros reconhecem modestamente que não têm ouvido. É preciso ser dotado para ouvir e para ver. O dom é um espaço fechado – sala de concerto, museu – do qual a pessoa se cerca para desfrutar de um prazer clandestino. Os que não possuem esse dom ficam de fora, os que o possuem entram e saem a seu bel-prazer. Naturalmente, não se gosta de música só aos domingos; essa divindade não é mais exigente do que a outra."
BLANCHOT, Maurice. O espaço literário. trad. Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Rocco, 2011.

Aqui uma pergunta:
• Esse dom, de que fala o filósofo, é apenas inato? Ou pode ser desenvolvido no espaço escolar? Ou no espaço familiar?

Mas continuemos o pensamento de Blanchot:

Ler nem mesmo requer dons especiais e faz justiça desse recurso a um privilégio natural. Autor, leitor, ninguém é dotado, e aquele que se sente dotado, sente sobretudo que não o é, sente-se infinitamente desprovido, ausente desse poder que se lhe atribui, e assim como ser “artista” é ignorar que já existe uma arte, ignorar que já existe um mundo, ler, ver e ouvir a obra de arte exige mais ignorância do que saber, exige um saber que investe numa imensa ignorância e um dom que não é dado de antemão, que é preciso da cada vez receber, adquirir e perder, no esquecimento de si mesmo. Cada quadro, cada obra musical, faz-nos presente desse órgão de que temos necessidade para acolhê-lo, “dá-nos” o olho e o ouvido de que necessitamos para ver e ouvir. Os não músicos são aqueles que, por uma decisão inicial, recusam essa possibilidade de ouvir, que se lhe esquivam como a uma ameaça ou a um incômodo a que se fecham desconfiados”.
BLANCHOT, Maurice. O espaço literário. trad. Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Rocco, 2011.

Mais questões:
• A estratégia de “receber, adquirir e perder” a obra de arte – música, quadro ou obra literária – não é uma forma, uma rotina, uma estrutura sobre a qual se constrói a novidade do ato de ler a Arte?
• Nesse caso, não cabe à Escola desenvolver essa rotina ou estrutura (o que, neste contexto, não tem qualquer associação com o Estruturalismo) de aproximação da obra de arte, valorizando, contudo, também a tensão que se forma entre essa gramática da leitura da Arte e a impressão pessoal do leitor?
• Mas que rotina(s) que gramática de leitura é(são) essa(s)? Que espaço ela(s) deve(m) ocupar no currículo e/ou no planejamento?

Acredito que a resposta a tais questões ajudar-nos-á a nós, professores, encontrarmos o ponto de equilíbrio no delicado trabalho de formar leitores de obras de Arte. Claro que elas propõem uma maneira diferente de se olhar toda a área de Linguagem, Códigos e suas Tecnologias e nos remetem ao difícil trabalho de estudar fontes confiáveis.

Nesse sentido, gostei de ter lido Para ler Romances como um especialista, de Thomas C. Foster, publicado pela Lua de Papel. Fica aqui a dica...

30 de novembro de 2011

PENSANDO NO PLANEJAMENTO 2012: EXPOSIÇÕES

Ao pensar nos trabalhos de seus estudantes, tais como fotografias, como uma exposição e não apenas como trabalhos a colocar no corredor do colégio, considere:

1 – A escolha do tema: O que será apresentado na exposição?  Verifique como a luz incide sobre os trabalhos. Diferentes luzes podem produzir diferentes resultados.

2 – A escolha do loca: Onde será realizada a exposição?

2 – A escolha do corpo da exposição: o que será exposto?

3 – A escolha do corpo da composição: quem irá participar?

4 – A elaboração de uma breve biografia das pessoas que terão seus trabalhos expostos;

5 – Como será feita a divulgação

31 de outubro de 2011

A AULA COMO TEXTO E O TEXTO NA AULA: PROCESSO E PRODUTO

A leitura deste texto permitirá responder:


• O que é texto? Por que precisamos desse conhecimento ao elaborar um plano?
• Como a didática do texto deve pensar a realidade do aluno?
• Como se desenvolve a aprendizagem de produção e leitura de textos?



O texto, verbal ou não, é uma unidade de sentido, ou seja, é percebido por quem o produz (e deve ser percebido por quem o recebe) como algo que é UM. Essa é a primeira e a essencial condição: todo texto deve nos remeter a uma sensação de unidade plural, ou seja, composta por diferentes elementos (palavras, frases, parágrafos, opiniões, informações, cores, formas, sons, gestos etc).


Esse todo formado pela pluralidade é maior que a soma de suas partes. Elas se combinam e se articulam de tal modo a construir algo a mais para além de si mesmas. Assim como um grupo unido é mais do que apenas um conjunto de indivíduos. No cotidiano, o professor nota bem isso ao lidar com turmas novas ou aquelas que já se constituíram há muito tempo.


As partes do texto aparecem de diferentes maneiras na engenharia de sua construção. Neste momento, interessa-nos saber que todo texto é constituído por outros textos e ações humanas, sendo resultado de um ato que mobiliza esses outros textos e ações constitutivos e remetendo a textos e ações futuros.


Um texto que particularmente nos interessa, como educadores, é o texto da aula. Uma aula é um texto? Sim, pois ela é uma unidade de sentido composta por diferentes palavras e ações, mas que, de modo muito frequente, constroem nos professores e nos alunos a sensação de unidade, de que ocorreu uma aula só (mesmo quando dupla!) e não duas ou mais coisas. Aliás, quando o estudante tem a sensação de fragmentação, de pedaços que não se colam, ele tem dificuldade de interagir nessa aula e, portanto, de construir o conhecimento.


Assim, como professor, minha primeira preocupação ao pensar em ‘trabalhar o texto em sala de aula’ é pensar na construção do texto “aula”, texto que composto por diferentes textos e ações humanas, mobiliza tempos (passado e futuro) e pessoas (o outro).


Como ‘o outro’ aparece no meu texto e/ou na minha aula? Citado diretamente, por exemplo. Como quando o professor, ao compor o texto de sua aula, recorre a diferentes outros, no qual se destacam, o livro didático, as opiniões que confirmam determinados saberes e, de modo particular, a voz do educando. Pensar no texto da aula é pensar de que modo a voz do educando participar na construção desse texto.


Só agimos e somos como indivíduos situados em um contexto histórico e social em uma relação de contraste com ações de outros sujeitos. O confronto entre eu/tu define quem eu sou e o que eu faço (o que inclui os textos que produzo).


“Enunciar ‘a verdade’ pressupõe a possibilidade de haver alguma outra ‘verdade’, assim como a negação pressupõe uma afirmação” (PAULA, L. e STAFUZZA, G. (orgs). Círculo de Bakhtin: teoria inclassificável. Campinas, SP: Mercado das Letras, 2010, p. 68).


O texto deve ser visto como um produto que supõe o processo de produção e, ao mesmo tempo, como processo que leva em conta o produto resultante.


Todo texto que aparece em aula e toda aula que se constitui como texto surge da interação entre indivíduos e destes com um determinado tema (o tópico do discurso), vinculado com os pressupostos e subentendidos (que facilitam a compreensão, como criam mal-entendidos) e as avaliações psicossociais (do eu e do outro) em constante conflito.


O que isso exige?


a) conhecimento do tema

b) capacidade de avaliar a unidade de sentido: a avaliação unifica os atos – e, portanto, o texto produzido. O indivíduo, situado em um contexto histórico e social, avalia suas atividades (incluindo o texto produzido) no âmbito da generalidade e em uma situação concreta, específica, de decisão e ação. A avaliação do texto está presente em quem produz o texto e em quem o recebe. Portanto, no espaço da aula, é uma atividade constante de professores e alunos. Naturalmente, não estamos aqui falando da avaliação notificada, mas do processo constante de avaliar um texto que participa na sua produção.

c) construção do conhecimento específico.

d) construção do conhecimento da generalidade.

e) construção de situações concretas que possibilitem a avaliação.

f) readequação das avaliações feitas.

g) articular as diferentes partes tendo em vista três elementos: quem produz o texto, quem o irá receber e a coletividade (configurada, por vezes, por meio de representantes).

h) velar e desvelar a presença do outro na ação e no texto produzido.

i) domínio da engenharia de produção desse texto.


Como professor, pensar em minha aula como um texto que será construído em espaços físicos e sociais e durante um tempo determinado exige que eu conheça o tema que irei desenvolver, mas exige muito mais. Esse ‘muito mais’ ao qual nos referimos acima é que deve estar na origem do planejamento anual.

5 de outubro de 2011

O DISCURSO RELIGIOSO NAS AULAS DE LCT

O discurso religioso é, em um primeiro momento, aquele no qual, de algum modo, fala a voz de Deus. O discurso religioso pode ser considerado, dessa perspectiva, como um discurso de autoridade. Uma de suas características é a defesa da submissão do indivíduo a forças que lhe são superiores.

Como todo enunciado, o discurso religioso implica também uma situação de enunciação. Ele não se destina a não à mera contemplação, ele é uma enunciação dirigida ao co-enunciador a quem o enunciador quer levar à ação, a fim de que haja compromisso de fé aos possíveis sentidos depreendidos dele/nele. Na relação desse eu que enuncia com aquilo que diz, pode-se perceber a capacidade de expressar tanto da interioridade do enunciador como o envolvimento do co-enunciador no processo de adesão aos efeitos de sentido religioso. Neste sentido, ressalta-se que o enunciador não deve ser compreendido como um ser empírico, de carne e osso, dado ao olhar, que possa ter uma presença depreendida do imaginário do co-enunciador, mas como uma manifestação discursiva de uma voz que carrega um corpo investidos de valores compartilhados socialmente e entendidos por meio de arquétipos e estereótipos.

É perceptível, no discurso religioso, a existência de marcas definidoras das relações de força e de sentido que formam as concepções imaginárias do discurso e que se deixam mostrar ao passo que o enunciador se revela. Esse imaginário é caracterizado por mecanismos simbólicos que são retraduzidos para significar aquilo que, separado do real, constitui a resposta uma determinada visão de mundo evocada.Dessa forma, podemos considerar também como discurso religioso aquele que mergulha literariamente na temática religiosa, das mais variadas maneiras, como a reflexão presente sobre o diabo em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.

Orlandi (Discurso e leitura. São Paulo: Cortez, 1988) também defende que, a compreensão de um discurso exige estar atento às condições em que foi produzido e considerar a linguagem como “interação, vista esta na perspectiva em que se define a relação necessária entre o homem e realidade natural e social”. Em outras palavras, todo estudo de um texto, visual, verbal ou verbovisual, exige a compreensão do tempo e espaço em que foi produzido e em que o seu sentido será construído, refletindo, dessa relação, os valores de mundo e sociedade presentes.

25 de setembro de 2011

A IMPORTÂNCIA DA ROTINA EM SALA DE AULA

A nossa vida é, antes de tudo, ritmo: o pulsar do coração, as migrações das aves nos céus, os ciclos das estações, dos meses do ano, da duração dos dias. A chegada das chuvas orienta os agricultores. A vinda da noite regula nossas atividades. Até o crescimento de uma criança obedece a um ritmo!  Ritmo e rotina, desta perspectiva, se equivalem.

O ritmo é a rotina construindo o nosso viver. Quando se quebram essas rotinas, usualmente, há sinais de preocupação. As secas e as inundações, por exemplo, são um problema sério quando são desagradáveis rupturas da rotina da natureza. Tais ciclos orientam as nossas atividades e nos ajudam a construir a nossa identidade. De modo algum minam a nossa criatividade.

Muitos educadores têm considerados as vantagens de estabelecer uma rotina em sala de aula que não deixando de lado a criatividade e a flexibilidade próprias do processo educativo, dê segurança e ritmo ao estudante na construção de sua aprendizagem.


Do mesmo modo, será vantajoso para o estudante que as aulas comecem com uma pequena prévia do que será estudado no dia, com o professor, por exemplo, anotando dois ou três tópicos do que será estudado na lousa. Também é importante que toda aula termine com uma pequena recapitulação – oral ou escrita – de uns cinco minutos do que foi estudado nesse dia.

Sempre que possível, datas decididas para a apresentação de trabalhos ou para verificação de determinados conhecimentos devem ser respeitadas. O estudante deve sentir-se seguro no espaço construído pela palavra de seu professor. Um professor não deve solicitar atividades para casa que não pretende depois verificar ou aproveitar em sala de aula como parte da metodologia educativa.

Uma palavra de cautela para todos nós: pensarmos antes de falar! Ameças infundadas ou prognósticos sobre os quais não temos nenhuma decisão, tais como "quero ver só o que você será no futuro!" ou "Você vai ver só o que vai acontecer!" devem ser cuidadosamente evitados. No calor dos ânimos, a melhor atitude é calar-se, para não dizer algo que faça com que se rompa o bom ritmo de aprendizagem estabelecido.
É importante que a turma compreenda o objetivo de tais ritmos e que possa participar na discussão do estabelecimento dos mesmos. A rotina da aula não pode ser vista como algo claustrofóbico, punitivo, inflexível, mas como parte do processo da própria construção da liberdade. Ela pode e deve envolver a participação ativa dos estudantes.

29 de agosto de 2011

ESTRATÉGIAS PARA UMA BOA AULA: NÃO TENTAR É INACEITÁVEL



Caiu, meio por acaso, em minhas mãos o livro "aula nota 10!, de Doug Lemov, em minhas mãos. Gostei do que li. Claro, é importante pensar seus conteúdos à luz de uma delicada teia de conhecimentos, mas, achei o investimento que fiz, válido. A seguir, li adaptei à realidade brasileira conforme a conheço aquilo que ele chama de estratégia "Sem escapatória", que, pelo peso um tanto opressivo da expressão, prefiro chamá-la "Não tentar é inaceitável".



As habilidades entrelaçadas à participação e ao senso de comunidade são essenciais para o desenvolvimento de uma boa aula. Contudo, é fácil desanimar com o comportamento de alguns alunos, que podem se mostrar pouco acessíveis às boas intenções do professor em desejar a participação coletiva. Alguns estudantes podem, simplesmente, agir como se pensassem "só faço o que sou obrigado!". Alguns alunos rapidamente aprendem que um 'não sei' ou um 'sei lá!' é a fórmula mágica para fugir do compromisso com a aula. Estão ali, mas é como se não estivessem, ficam apenas esperando a resposta pronta para anotar no caderno. Às vezes, nem isso.

Assim que um estudante consegue provar para a classe que você, professor, não pode obrigá-lo a participar, então o resto do ano se desenvolve nesse irritante desviar-se do compromisso da participação. Os demais da turma logo aprendem que é possível se sair bem apesar de não se esforçar, de não se envolver. Muitos ainda ganham grátis um discurso que enche o tempo da aula e 'não cai na prova'.
Há também aquele aluno que, sinceramente, quer responder, mas não sabe. Depois de um ou dois erros seguidos, ele aprende que 'responder não é para mim'. Com o tempo, esse aluno 'aceita' que não é tão bom como os outros. Não é, certamente, o que desejamos desenvolver em nossas aulas!

Um determinado segmento de sua sequência didática que começa com um estudante que não quer ou não consegue responder a uma determinada pergunta deve terminar, sempre que possível, com esse mesmo estudante respondendo ao que foi perguntado. A nossa maior questão agora é: Sim, mas como fazer isso?
Vejamos um exemplo que não leva em conta os conteúdos abordados, mas o método:

Na lousa, a frase: "A maçã é vermelha"
Professor: "Pedro, qual o adjetivo da frase?"
Pedro: "sei lá!"
Professor: "Ok, Pedro, eu terei prazer em ajudar você. O adjetivo é 'vermelha'. Agora ficou fácil, né? Então, qual o adjetivo da frase?"
Pedro: "Vermelha."
Professor: "Muito bem, obrigado pela participação! Sim, de fato, o adjetivo é 'vermelha'!"
A aula continua com o professor fazendo outras perguntas e desviando um pouco o foco do Pedro.

O movimento é extremamente simples: o professor fornece a resposta que é repetida pelo aluno. O objetivo central é levar o aluno a dar o primeiro passo, por menor que seja. Esta estratégia lembra ao estudante que você acredita na capacidade dele de aprender. Além do fato de que, desse modo, os alunos ouvem a si mesmos dando a resposta certa. É um modo de familiarizá-los com o sucesso escolar, sem escapatória!

Vejamos agora outro formato para o mesma estratégia:
Professor: "Marcos, qual o adjetivo da frase?"
Marcos: "maçã!"
Professor: "Ok, Marcos! Quem pode dizer ao Marcos qual o adjetivo nessa frase?"
Outro aluno: "Vermelha."
Professor: "Muito bem, obrigado pela participação! Agora é com você Marcos! Qual o adjetivo nessa frase?"
Marcos: "Vermelha."
Professor: "Perfeito! obrigado pela participação! Sim, como vemos, o adjetivo é 'vermelha'!"
A aula continua.

Este segmento começa com um estudante incapaz de responder e termina com um estudante dando a resposta certa. A resposta do segundo aluno não deve ser encarada como uma substituição, mas como um apoio. É importante que esse outro aluno não seja visto como a 'salvação da classe' ou alguém de inteligência superior aos demais. O que se aprende, nesse procedimento, é que participar é mais importante que acertar. Esse é o espírito de comunidade escolar que desejamos desenvolver.

Esta estratégia pode sofrer uma pequena variação: pede-se a toda a classe para responder em coro e depois volta-se ao aluno a que desejamos dar uma atenção especial. Vejamos:
Professor: "Marcos, qual o adjetivo da frase?"
Marcos: "maçã!"
Professor: "Agora, eu vou contar até três e todo mundo, junto, me diz qual o adjetivo da franse, ok? Vamos lá... 1... 2... 3..."
Todos: "Vermelha."
Professor: "Como? Não ouvi direito!"
Todos: "Vermelha."
Professor: "Muito bem, obrigado pela participação! Esta turma é mesmo especial! Agora, só você, Marcos! qual o adjetivo desta frase?"
Marcos: "Vermelha."
Professor: "Perfeito! obrigado pela participação! Sim, como vemos, o adjetivo é 'vermelha'!"
A aula continua.

Ao passo que obstáculos vão sendo superados, a turma avança em compreender que não tentar é inaceitável. Então, você pode incrementar esta estratégia fornecendo uma orientação que permita ao aluno questionado chegar à conclusão sobre a resposta certa:

Professor: "Marta, qual o adjetivo da frase?"
Marta: "maçã!"
Professor: "Ok, Marta! Vamos recapitular. Sabemos que o adjetivo acrescenta determinadas características a um substantivo. Agora, veja Marta, se com essa informação fica mais fácil encontrar o adjetivo."
Marta: "Vermelha."
Professor: "Muito bem! obrigado pela participação! Sim, como vemos, o adjetivo é 'vermelha'!"
A aula continua.
Neste último exemplo, outro aluno fornece uma orientação que permita ao aluno questionado chegar à conclusão sobre a resposta certa:
Professor: "Paula, qual o adjetivo da frase?"
Paula: "maçã!"
Professor: "Ok, Paula! Vamos recapitular. Quem pode dizer à Paula qual uma das funções de um adjetivo?
Outro aluno: "Tipo, o adjetivo dá características a um substantivo"
Professor: Sim, o adjetivo acrescenta determinadas características a um substantivo. Agora, veja Paula, qual a palavra, nessa frase, que acrescenta uma característica a um substantivo?"
Paula: "Vermelha."
Professor: "Ótimo! obrigado pela participação! Sim, como vemos, o adjetivo é 'vermelha'!"
A aula continua.

Por orientação entendemos uma informação útil para a construção do conceito e que, portanto, induzirá o estudante a seguir o processo de raciocínio. Não orienta nenhum aluno algo como: "Vamos, lá Paula, o adjetivo começa com 'v'... veeeeeeeeeeee...".
Algumas orientações que induzem ao raciocínio se relacionam ao conceito do termo em questão:
"O que é x?" ou "qual a função de x?"
Ou ao passo do processo necessário para aquele momento:
"O que temos de fazer agora? Qual o próximo passo?"
Ou a localizar a resposta certa:
"Onde se encontra x?"
Os exemplos fornecidos exigirão tempos e esforços diferentes. A personalidade dos estudantes e o momento da caminhada (primeira aula, segundo trimestre etc) são aspectos que ajudam a determinar o melhor formato.
Vale a pena manter em foco o objetivo da aula. Se a resposta de Pedro, Marcos, Marta, Paula etc tem uma relação direta com o objetivo da aula, vale a pena um modo mais lento e cognitivo de alcançar a resposta certa. Porém, se estamos falando de algo periférico ao tema central da aula, aos objetivos que desejamos alcançar, então vale a pena acelerar e pedir que outro aluno forneça a resposta ou fornecê-la você mesmo.
Como vemos, sem um rigoroso planejamento de suas aulas, está técnica terá pouco a oferecer.


24 de agosto de 2011

E QUEM SOU EU? UM EDUCADOR OU UM PROFESSOR?

Alguém me perguntou por que me considero um educador e se não bastaria dizer que sou um professor. Ou se não é generalizante demais dizer-me educador, ao invés de dizer-me professor. É uma boa pergunta: sou grato a quem me procura ler para além das linhas e me ajuda, desse modo, a compreender-me nas minhas entrelinhas, naquilo que, por vezes, nem mesmo eu me compreendo.
Antes de tudo, diga-se, sou um professor: de Língua Portuguesa e de Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa. Duas áreas do saber que se entrelaçam de tal modo que me fazem, por vezes, ter dificuldades em ver os limites de cada uma delas. Sou professor e, na construção de minha identidade profissional, professo o que conheço e professo minha constante sede de conhecer. Ser professor está, no meu caso, incluído em quem sou e em como vejo o outro e, por isso, faz parte também de algo que considero maior: ser educador.
Ser educador, etimologicamente, é tanto ser aquele que conduz o outro para fora, permitindo que ele ascenda, chegue ao alto, como aquele que alimenta, forma e cuida do outro. Claro, há mais acepções, mas estas duas já me são suficientes para delinear como entendo o educador.
Minha utopia: ser aquele que auxilia o outro a ir para o alto.
Cuidar e alimentar o outro são parte desse processo, mas não resolvem a sua totalidade. Quero mais. Cuidar e alimentar são atividades que faço quando professo – quando declaro – o que conheço, ou seja, quando sou professor. Mas, se sou um professor-educador, então, não me conformo com dar o alimento, mas com possibilitar que aquele a quem alimento vá para o alto, ascenda.
Quando comecei a escrever este blog não havia muitas pretensões de alteridade. Escrevia, sobretudo, para mim. Era o desejo de construir breves reflexões sobre tudo o que estava relacionado à educação que, de algum modo, me afetasse. Era um modo de pensar(-me). Mesmo assim, havia a necessidade-esperança de ser um voo mais alto do que aquele que o professor de Língua Portuguesa ou o de Metodologia poderia dar. Ao longo destes anos tenho falado muito de Linguagem, mas também de Religião, de Trabalho em Grupos, de Pais etc.
Aos poucos comecei a notar que o que escrevia afetava outros. A alteridade começou a atravessar-se no meu escrever. Tenho tentado largar a linguagem própria da academia por uma mais próxima de parcela de leitores que muito me interessa: aqueles que, de algum modo, podem ser ajudados, pelos meus textos, a ascender. Tenho procurado – nem sempre conseguido – por assuntos que se relacionem mais com certas demandas gerais. Talvez, haja razão em dizer que o resultado é que o educador e o professor se fundiram mais ainda.
Contudo, não me vejo como professor desses benevolentes leitores, mas se, de algum modo, por meio de pequenas reflexões – por vezes, pequenas demais, para meu gosto, mas do tamanho que possam ser lidas rapidamente, por aqueles que têm sempre tão pouco tempo – posso possibilitar que o outro suba um pouco, então, me vejo como um educador, mais ainda, como um co-educador. Esse outro que está longe dos centros de estudo e pesquisa, da vida acadêmica, talvez até da formação universitária, das boas bibliotecas, de um longo etc. mas que, mesmo assim, é educador. Esse outro: professor, coordenador, diretor, bibliotecário, merendeira, estudante ou qualquer outro papel que construa o palco educativo. Esse outro que gostaria que me visse como companheiro, não como um professor que lhe transmite informações.
Educador é, então, a palavra que mais se aproxima de todos esses leitores, sem trair minha identidade, sem que deixe de ser professor.